George Christian Convidado: Vladimir Bomfim | improfe.stream

Juan Almeida (cianotipia)

George Christian

NADA PASSADO PARA TRÁS Convidado especial: Vladimir Bomfim

O título “Nada Passado para Trás” surgiu conceitualmente em junho de 2018, a partir de um convite feito por Heitor Dantas (artista, compositor e produtor musical) para fazer uma performance gravada ao vivo no estúdio dele, o Menasnota (localizado no edifício da WR Bahia, lugar histórico para a música baiana desde os anos 1980 adiante). Chegamos agora em 2026, quase oito anos depois, após algumas mudanças na trajetória, mas a ideia de “Nada Passado Para Trás” precisava ser revitalizada e, finalmente, vir à luz de alguma maneira. A partir de um novo convite, agora feito pelo Improfest, fez-se aqui a produção filmada desta sessão de estúdio, no mesmo Menasnota, gravada pelo mesmo Heitor Dantas. Inspirado pela ocasião oportuna, decidi chamar um amigo e um parceiro musical em comum, o violonista Vladimir Bomfim, para a empreitada. E para filmar, Heitor me lembrou de Caio Araújo, alguém que conheci numa ocasião fortuita em 2014, quando fui filmado por ele em minha participação no evento Low-Fi Processos Criativos, em que criei uma trilha sonora ao vivo para o filme Skyscraper Symphony (1928) de Robert Florey. Essa sessão foi uma importante ocasião de reencontros de pessoas especiais em minha trajetória. Por fim, tudo veio em um momento de fechamento de ciclo.

“Nada Passado para Trás” foi uma sessão feita em uma única tarde, de quatro partes em takes ininterruptos, feitos em improvisação livre. (Essa sessão será incorporada num futuro álbum.) O presente da criação em tempo real se presentificando em cada momento, em que nada é passado para trás ou desperdiçado. Não há erros. Muito menos preocupações maiores com um diapasão fixo. Temos aqui uma viola caipira afinada em uma variante microtonal e menor do Cebolão em Ré, de diapasão 440Hz, e um violão de aço acústico/elétrico em uma afinação hexacordal que mescla os acordes de Dó e Ré menores no diapasão 432Hz. E para complementar ainda mais a exploração microtonal, surge o Violão Microtonal Smetakiano (VMS) com as cordas Mi2 tocado por Vladimir. Ao final, esta simbiose entre microtonalismo, exploração de técnicas expandidas e improvisação livre não apenas busca um universo sonoro próprio, mas também uma síntese de minha própria trajetória como músico comprovisador, como variantista da criação em tempo real. Mas sem olhar para trás com remorso ou nostalgia.

A foto de capa em cianotipia foi feita por Juan Almeida, quando da gravação de um clipe para minha canção “Auroras do Exílio III (Sucessivas Surras)” do álbum Exílios III (2018). Ela simboliza um olhar sem nostalgia para o passado, sobre as sombras que entrecortam a luz.

George Christian - viola caipira e violão de aço
Vladimir Bomfim - violão microtonal smetakiano (corda Mi2)

Concepção: George Christian

Improvisações livres de George Christian e Vladimir Bomfim (I, II e III), exceto em IV, de George Christian.

Direção: George Christian e Caio Araújo
Filmagem: Caio Araújo
Gravação sonora: Heitor Dantas
Produção, edição, mixagem e masterização: George Christian Foto de capa: Juan Almeida

Gravado em 14/01/2026 no Estúdio Menasnota.

George Christian Vilela Pereira

Nascido em Salvador (BA), no dia 10 de agosto de 1981, o cantor, compositor e violonista George Christian manifestou desde cedo interesse pelas artes, começando pelo desenho na infância, passando pela poesia e pela música em sua adolescência. Licenciado

em Letras Vernáculas com Inglês pela UFBA em 2006, ele escreve poemas desde 1997, tendo sete livros ainda não publicados – alguns desses, transformados futuramente em canções. Aprendeu violão erudito e popular aos 14 anos e, apesar de ter encontrado alguns instrutores que lhe ensinaram na execução do violão durante seus anos de aprendizado musical, forjou o seu estudo teórico e o seu estilo de compor de maneira autodidata desde 1998. Escreveu suas primeiras canções durante o curso de Letras Vernáculas com Inglês, curso pelo qual se formou em 2007. Ele aprendeu também rudimentos em contrabaixo, flauta, gaita, digeridoo e técnicas de composição eletroacústica em 2009, com o professor e compositor Guilherme Bertissolo (com quem colaborou em um projeto sobre técnicas estendidas e música interativa anos depois, na Escola de Música da UFBA). Desde 2008, vem lançando trabalhos individuais e colaborando com diversos artistas. A partir de 2011 até o presente momento, ele teve os seguintes professores de composição: Ataualba Meirelles, Paulo Rios Filho, Wellington Gomes, Paulo Costa Lima, Marcos de Silva Sampaio e Pedro Kroger.

Paralelamente aos compromissos profissionais e acadêmicos, ele vem desenvolvendo sua carreira musical, manifestando interesse tanto pelo registro de suas canções quanto, também, pela música instrumental – tendo peças escritas basicamente para conjuntos de câmara, orquestrais, solo (para violão elétrico) e algumas obras acusmáticas. Ele teve também algumas estreias de peças compostas por ele no cenário nacional. Ele já lançou uma discografia numerosa de álbuns e EPs, participou de compilações e colaborou como músico convidado para alguns artistas. George Christian já se apresentou como músico convidado e como artista solo em alguns lugares em sua cidade, Salvador, e outras localidades, como também já tocou ou colaborou com uma diversidade de artistas no cenário local e internacional. Ele continua desenvolvendo seu trabalho solo como músico experimental. Além de ser formado no Bacharelado em Composição pela UFBA desde 2020, ele é, agora, Mestre em Composição desde 2024 e doutorando na mesma área desde 2025.

Vladimir Bomfim

Instrumentista, natural de Salvador, atua como solista, camerista, arranjador e compositor em diferentes esferas musicais, teatro, dança e cinema.

Vem se apresentando em cidades como Paris, São Paulo, Orleans, Rio de Janeiro, Strasbourg, Porto Alegre, Fontainebleau ou Nancy, com formações como l'Opéra de Strasbourg, l'Orchestre Phillarmonique de Strasbourg, Orquestra Sinfônica da Bahia, Orquestra Sinfônica da UFBA, In-Extremis, Camará Ensemble ou Duo Robatto, e sendo convidado de festivais como o Festival de Jazz de Vandoeuvre (Nancy, França, 2012), 1o Rencontre Franco-Argentine de Musique Contemporaine (Paris, 2009), 2o Festival Internacional de Músicas Exploratórias (São Paulo, 2014), Festival Terranga (Nancy, França, 2009-2010) ou Música de Agora na Bahia (MAB, Salvador, 2014-2015). Colaborou com artistas como Lia Robatto, Jan Lathan-Koenig, Tuzé de Abreu, Gaël le Billan, Lucas Robatto, Sylvain Courtney, Uibitú Smetak, Moacyr Costa Filho e seu

interesse pelas músicas atuais o levou a colaborar com autores como Ivan Fédéle, Wellington Gomes, Aldo Brizzi, Leonardo Boccia, Paulo Rios Filho ou Kedson Silva para estreia ou primeira gravação de suas obras. Obteve premiações nacionais e internacionais como o primeiro prêmio do VIII Concurso Nacional de Violão Souza Lima (São Paulo, 1997), e os segundos prêmios do II Concurso Nacional de Violão Musicales (São Paulo, 1998), do IV Concours International de Guitare Forêt d'Orleans (França, 2001), e do III Concours International de Guitare de Fontainebleau (França, 2001) e do Concours National de Ceyzeriat (França, 2002). Entre suas recentes produções figuram o Prêmio RespirArte da FUNARTE pela “Suite Smetak”, audiovisual de sua autoria e direção, sobre os violões microtonais de Walter Smetak e o CD “Diagonal”, lançado pelo selo “Tupynambá” em 2023, com a Direção Musical de Ivan Bastos e Tadeu Mascarenhas e participação de Lucas Robatto. Desde 2022 é membro fundador e Diretor Musical do grupo de música instrumental "Os Prometidos" dedicado ao repertório e à criação contemporânea.

É especializado em performance de músicas atuais pelo Conservatoire National de Strasbourg (França), Graduado, Mestre e Doutor em Violão pela UFBA, já tendo frequentado as classes de artistas como Mario Ulloa, Pablo Marquez, Iasunori Imamura, Eduardo Fernández, Cristina Tourinho, Graig Goodman, Eduardo Isaac, Christine Bayle, Pepe Romero, Flávio Queiroz, Everton Gloëden, entre outros. É titular do posto de Professor de Violão da Universidade Federal da Bahia.

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